terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Bolo de mel e azeite



Trás-os-montes, essa musa inspiradora!



Por lá andei no fim de semana e me regalei com tanta beleza que vi e pelas delícias que provei. Decidi continuar a "viagem" por estas paragens e fi-lo através dos meus livros de culinária.

Uma perdição de tanta receita magnífica! A mim apetecia-me ter tempo para experimentar todas :)

Das doces às salgadas, todas me parecem tão especiais. Tenho a certeza que o são!

Hoje, porque me fazia falta um docinho, optei por testar esta que partilho convosco.

Se querem perfumar a cozinha com o aroma de um bolo, este é perfeito para esse efeito. E também o é por ser tão delicioso e fofo!





Ingredientes:


  • 6 ovos
  • 1 limão
  • 100g de açúcar
  • 1 dl de mel
  • 1 c. (chá) de canela
  • 10 c. (sopa) de azeite
  • 150g de farinha com fermento
  • manteiga para a forma



Preparação:


Separe as gemas das claras. Bata as claras em castelo com umas gotas de sumo de limão e, aos poucos, adicione o açúcar peneirado (adicionei, lentamente, em chuva). Bata até obter uma massa de merengue. Reserve.

Bata as gemas com o mel e misture com a raspa de limão e a canela. Adicione o azeite, em fio, e bata de novo (deixei bater bem, até ficar uma massa esbranquiçada e fofa).

Gradualmente, adicione as claras alternando com a farinha (peneirei-a, como sempre).
Envolva tudo sem bater. Deite a massa numa forma untada com manteiga e leve ao forno pré-aquecido (aqueci a 180ºC), até crescer e o bolo ficar dourado (esteve 45 minutos no forno).


O melhor da doçaria regional portuguesa - TRÁS-OS-MONTES. BIBLIOTECA ACTIVA. 




Miguel Torga - Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes)
Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.

Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:

- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!... (...)




                             

domingo, 28 de janeiro de 2018

Papas de sarrabulho



É tempo de sarrabulhada!


As papas de sarrabulho são um típico prato minhoto, largamente divulgado e apreciado na região, onde são tradicionalmente servidas em tigelas e polvilhadas com cominhos.

sar·ra·bu·lho
(origem obscura)

substantivo masculino

1. Sangue coagulado de porco (ex.: arroz de sarrabulho).
2. [Culinária]  Prato típico minhoto, feito com esse sangue, miúdos de porco e condimentos (ex.: sarrabulho limiano). = SARRABULHADA
3. [Regionalismo]  Matança dos porcos nas aldeias e actos decorrentes.
4. [Informal, Figurado]  Grande confusão ou desordem (ex.: mas que sarrabulho é este?). = BALBÚRDIA, BARAFUNDA, REBULIÇO


in, priberan - dicionário


Bem se diz que "A ração não é para quem se talha: é para quem a come".
Estas papas, que vêm na foto, foram cozinhadas pela minha cunhada e apesar de não me estarem destinadas acabaram - felizmente - por vir parar à minha mesa.


Assim que estiver com ela peço-lhe a "sua" receita e partilho-a convosco. Entretanto deixo-vos uma receita, muito confiável, do livro  Cozinha Tradicional Portuguesa. 

Obrigada, Sandra. Estavam deliciosas!



Ingredientes:

Para 6 pessoas
  • 250 g de fígado de porco
  • 250 g de bofes de porco
  • 250 g de goelas de porco
  • 250 g de coração de porco
  • 1 osso da suã de porco, muito curado
  • 250 g de galinha gorda
  • 250 g de carne de vaca
  • 250 g de sangue de porco cozido
  • 2 tigelas de farinha de milho peneirada (cerca de 250 g)
  • sal e cominhos


Põe-se uma panela com água ao lume e, quando ferver, juntam-se as carnes, temperam-se com sal e deixam-se cozer até a galinha se desfazer.

Depois de cozidas, retiram-se as carnes e junta-se ao caldo a farinha para fazer uma papa não muito espessa, o sangue e um pouco de fígado cozido e esmagados à mão, as carnes previamente desfiadas e um pouco de cominhos.

Mistura-se tudo e deixa-se cozer.

Servem-se as papas em tigelas, polvilhadas com mais cominhos.

As quantidades de farinha e das carnes são facultativas, mas é imprescindível, para umas boas papas de sarrabulho, que levem todos estes ingredientes.


MODESTO, Maria de Lourdes. Cozinha Tradicional Portuguesa. Lisboa/São Paulo: Editorial Verbo, 1982.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Fins de semana gastronómicos - Press Trip


Amarante, a Doce


Nos dias 13 e 14 de janeiro, o Turismo do Porto e Norte de Portugal levou-nos a conhecer o Município de Amarante. Amantes do bom garfo (e de um bom copo), fomos conquistados pelos irresistíveis doces conventuais e pelo cabrito assado, entre outras iguarias gastronómicas e vinícolas. Os produtos endógenos e os sabores tradicionais dos ingredientes locais e genuínos que caracterizam a região, conquistaram-nos totalmente.


                               

A visita teve início no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, onde podem ser vistas colecções permanentes deste autor assim como de outros artistas.
A primeira visita do dia foi ao Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, onde podem ser vistas coleções permanentes deste autor assim como de outros artistas. E há estátuas ligadas à história da terra: “Amarante é também povoada por algumas lendas e estórias, destacando-se entre elas, a do Diabo e a Diaba” – saiba mais aqui. Até março, podem visitar as obras que pertencem aos participantes do 11º Grande-Prémio Amadeo de Souza-Cardoso.

Leia mais em: http://www.viajecomigo.com/2018/01/15/fins-de-semana-gastronomicos-em-amarante-2018/
A primeira visita do dia foi ao Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, onde podem ser vistas coleções permanentes deste autor assim como de outros artistas. E há estátuas ligadas à história da terra: “Amarante é também povoada por algumas lendas e estórias, destacando-se entre elas, a do Diabo e a Diaba” – saiba mais aqui. Até março, podem visitar as obras que pertencem aos participantes do 11º Grande-Prémio Amadeo de Souza-Cardoso.

Leia mais em: http://www.viajecomigo.com/2018/01/15/fins-de-semana-gastronomicos-em-amarante-2018/
A primeira visita do dia foi ao Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, onde podem ser vistas coleções permanentes deste autor assim como de outros artistas. E há estátuas ligadas à história da terra: “Amarante é também povoada por algumas lendas e estórias, destacando-se entre elas, a do Diabo e a Diaba” – saiba mais aqui. Até março, podem visitar as obras que pertencem aos participantes do 11º Grande-Prémio Amadeo de Souza-Cardoso.

Leia mais em: http://www.viajecomigo.com/2018/01/15/fins-de-semana-gastronomicos-em-amarante-2018/
A primeira visita do dia foi ao Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, onde podem ser vistas coleções permanentes deste autor assim como de outros artistas. E há estátuas ligadas à história da terra: “Amarante é também povoada por algumas lendas e estórias, destacando-se entre elas, a do Diabo e a Diaba” – saiba mais aqui. Até março, podem visitar as obras que pertencem aos participantes do 11º Grande-Prémio Amadeo de Souza-Cardoso.

Leia mais em: http://www.viajecomigo.com/2018/01/15/fins-de-semana-gastronomicos-em-amarante-2018/

A primeira visita do dia foi ao Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, onde podem ser vistas coleções permanentes deste autor assim como de outros artistas. E há estátuas ligadas à história da terra: “Amarante é também povoada por algumas lendas e estórias, destacando-se entre elas, a do Diabo e a Diaba” – saiba mais aqui. Até março, podem visitar as obras que pertencem aos participantes do 11º Grande-Prémio Amadeo de Souza-Cardoso.

Leia mais em: http://www.viajecomigo.com/2018/01/15/fins-de-semana-gastronomicos-em-amarante-2018/
De seguida tivemos a oportunidade de assistir a um Workshop de doces conventuais e degustação dos mesmos, na Confeitaria da Ponte, onde se confeccionam lérias, foguetes, papos de anjo, brisas do Tâmega e S. Gonçalos.


A pensar em vocês, como sempre, filmei um pouco desta feliz experiência e partilho convosco aquilo que vi. Ainda estou incrédula pelo privilégio de ter entrado naquela cozinha! E grata, para sempre.






Em simultâneo estava a decorrer uma conferência sobre "Doces conventuais e os seus segredos", com a presença de Cristina Castro, autora da colecção "A Doçaria Portuguesa", Isabel Maria Fernandes, directora do Museu de Alberto Sampaio, Paço dos Duques de Bragança e Castelo de Guimarães, e da investigadora Anabela Ramos. Tive pena de não poder estar em ambos os sítios, mas felizmente ainda foi possível assistir a uma demonstração prática do fabrico dos doces e participar na degustação. Este evento decorreu no auditório da Biblioteca Municipal Albano Sardoeira (antigo Mosteiro de Santa Clara), no Largo de Santa Clara.

Mais uma vez fiz questão de gravar, para poder mostrar-vos. Assistam ao vídeo até ao final e deliciem-se (não digo porquê, senão perde a graça).


 


“S. Gonçalo de Amarante
Tantos milagres fazeis
Que são mais milagres vossos
Estes doces e pasteis”

Informação e receitas em: http://www.cm-amarante.pt/pt/doces-conventuais


Pensavam que tínhamos ficado "por ali" no que toca a comida? Não, não ficamos!

Rumamos ao hotel onde ficamos alojados, para nos prepararmos para o jantar. A nós coube ficar instalados no centro da cidade, no renovado Hotel Navarras, sendo que parte da equipa de jornalistas/imprensa ficou alojada no novo Des Arts Hostel and Suites.

Por volta das 20:00 vieram buscar-nos ao hotel e levaram-nos a jantar ao restaurante Taberna do Coelho e digo-vos: que manjar!


De entrada serviram-nos queijos, presunto, salpicão, e uma tábua como a que vêm na foto: bola de carne, rissóis, bolinhos de bacalhau, croquetes, pataniscas, verde (feito com sangue, tipo papas de sarrabulho, mas mais consistente), azeitonas e chouriça assada com grelos salteados. (Até suspiro só de me lembrar o bom que isto estava).






Mas não foram só as entradas a fazer um brilharete, pois estava tudo muito bem cozinhado.

O prometido cabrito assado estava divinal. E acreditem que estava mesmo! Tanto, que à minha frente jantava alguém que se converteu (isto é a maior prova de que estava excepcional). Começou por dizer que não gostava de cabrito, depois provou e acabou a dizer que adorava. :)

Eu é que adoro quando isto acontece!




 




"Desde os caminheiros fatigados de outros tempos aos amantes do bom garfo dos nossos dias, o cabrito assado faz de Amarante um ponto de paragem obrigatório. Os segredos multiplicam-se na preparação deste prato, no entanto, pode revelar-se os ingredientes básicos que o sublimam, nomeadamente alho, louro, salsa, pimentão-doce, vinho branco e o repouso do cabrito até ao dia seguinte.
“Deitado numa cama” de cebola, azeite, sal e alho, acrescentam-se as batatas e as partes finas do cabrito (costelas) e corrige-se o molho. Já na reta final, um toque de tostado em todos os ingredientes - conquistado no forno - denuncia que a assadeira está pronta a ir para a mesa."

informação: http://www.cm-amarante.pt/pt/cabrito-assado-serrano

 

E agora de que estais à espera? Ide!

 

Amarante

Bastar-lhe-ia a doçura para nos fazer desejar visitá-la, mas há imensos motivos para o fazermos: História, cultura, gastronomia, religião, beleza paisagística, festividades... e os amarantinos.




O único remédio é amar. Amar as coisas e amar as pessoas, amar as cores, as mutações da hora, o ciclo das estações, amar o tempo de ser, de lembrar, de colher
                 Histórias de poucas palavras, Maria Eulália Macedo