quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Capão à Freamunde - XIII Semana Gastronómica

Capão à Freamunde - confeccionado pelo Chef Vitor Brito, restaurante a.rei.a


A convite do Turismo Porto e Norte e da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, estive presente na Apresentação da XIII Semana Gastronómica do Capão à Freamunde. 

Nesse evento, como vem sendo habitual, quando participo nestas press trip / fins de semana gastronómicos, confirmo com uma convicção crescente que se come muistíssimo bem em Portugal. E, como se isso não fosse motivo suficiente, há imenso que ver e fazer nestas nossas lindas regiões. Tudo apela a que visitemos, provemos e bebamos o que o nosso país tem para nos oferecer!


Bem, mas falemos do que me trouxe aqui: O Capão (incluindo a sua receita) e a Feira dos Capões/ Feira de Santa luzia.  

O jantar alusivo decorreu no restaurante "a.rei.a" onde foram também apresentados 3 novos embaixadores do Capão: Isabel Pires, Manuel Serrão e António Loureiro. Todos eles prometeram defender e promover esta iguaria por onde andarem. 

Historial do capão


A origem do capão remonta aos tempos romanos diz-se que na Roma antiga, o cônsul Caio Cânio, restringido nas suas horas de sono, pelo alvorecer sonoro dos galos, teria conseguido fazer aprovar uma lei no senado que proibia a existência dos galináceos, no perímetro urbano da cidade.
Privados do prazer da sua carne, os súbditos logo inventariam uma forma engenhosa de contornar a disposição legal – capando os galos. Surgia assim o capão, o sápido eunuco que, na sua nobreza e requinte, se tornou comparável ao faisão, à perdiz e à galinhola.
Diz-se que desvirilizados, eles pararam de cantar, para consolar a perda da função, começaram a alimentar-se compulsivamente e a engordar bastante. Ao serem abatidos, mostraram-se iguarias sublimes. Os romanos descobriram que quanto mais cedo fosse realizada a castração, melhor seria o sabor da carne.

E, pelos caminhos de Roma, chegaria até nós este costume e este processo que enriquecia a gastronomia e a alimentação da região, acrescentando-lhe nova e delicada iguaria.
Vários autores se referiram ao capão como “Manjar dos Reis” em suas obras, mereceu atenção de Gil Vicente, D. Francisco Manuel de Melo, Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós.
Mas para que o deleite seja maior e saboreado como um manjar real e sublime, deve ser preparado “à Freamunde”.

A par de uma riqueza nutritiva e um sabor delicado, as suas origens fazem parte do património lendário da região.

 

Feira dos Capões/ Feira de Santa luzia


Instituída por provisão régia d' El-Rei D. João V, a 3 de Outubro de 1719, "rezestada na chancellaria Mor da Corte e Reino no livro de offícios a mercês a folhas quarenta e oito; em Lisboa occidental dois de Novembro de mil setecentos e dezanove(...)”
Alguns historiadores referem que "a Feira dos Capões já se realizava no séc. XV. Ainda nos dias de hoje em Freamunde, a “Feira dos Capões” realiza-se a 13 de Dezembro, e coincide com a data em que a liturgia católica venera Santa Luzia, a protetora da visão. Os alegados motivos de atração de milhares de Forasteiros à Cidade de Freamunde, é o da compra dos capões aliando também a fé religiosa, venera-se na capelinha de Santo António, situada no mesmo terreiro da feira.
Para os boémios, manda a tradição que seja os primeiros fregueses da afamada “Barraquinha das Festas Sebastianas”, onde servem rojões, fêveras …. regadas com o novo verde tinto da região que é de praxe.
A Feira conta com a eleição do melhor “Capão Vivo” no sentido de dar a conhecer a especificidade deste produto que, se não for bem castrado, não ganha determinadas características, sendo nesse caso chamado “Rinchão”.

 

 

Receita tradicional

capão à Freamunde

Embriaga-se o Capão com um cálice de Vinho do Porto e passada meia hora, mata-se, depena-se, abre-se e lava-se.

Depois de estar em água fria com rodelas de limão, cerca de uma hora, põe-se a escorrer e mergulha-se em "vinha de alho" (molho de vinho branco, algumas colheres de azeite, sal e pimenta e vários dentes de alho esmagados).

Deve permanecer neste molho, de véspera, e proceder-se a diversas viragens, esfregando o Capão.
No dia de o consumir, põe-se ao lume uma caçarola com azeite, gordura de porco e cebolas às rodelas. Quando a cebola está estalada, deita-se uma boa colher de sopa de manteiga, 2,5 dl de vinho branco e sal q.b..

Escorre-se o capão, esfrega-se todo com este novo molho e recheia-se com "farófia" e um picado feito com os "miúdos" do capão e bocadinhos de salpicão e presunto.

Coloca-se na assadeira, de preferência uma "pingadeira de barro", e leva-se ao forno a assar lentamente, picando-se com um garfo de vez em quando, ao mesmo tempo que se rega com o molho da assadeira. A operação de picar com o garfo deve ser cuidadosa para não ferir a pele que deve ficar estaladiça e loura.



Semana gastronómica


capão à Freamunde


Iniciou-se em 2006 e conta com a parceria de vários restaurantes do concelho que aderem à iniciativa. Actualmente conta com 8 anos de existência e foi alargada a duas semanas pela imensa procura que tem. 

Um dos pontos altos da Semana Gastronómica é a 12 de Dezembro, com o Concurso Gastronómico / Jantar “Capão à Freamunde”. Neste evento, os restaurantes aderentes levam o seu capão a concurso, onde o prato é apreciado e avaliado por um júri, sendo posteriormente comunicado o vencedor no Jantar e entregues os respetivos prémios. O Jantar é um momento sublime de degustação desta tão mui nobre iguaria. É mais uma oportunidade para a promoção deste prato que encanta apreciadores e cujo produto se encontra certificado como Indicação Geográfica Protegida (IGP) pelo despacho nº4253 de 7 de Março de 2011. 

Diz o provérbio popular "Do frango capão a perna, e da galinha o peito". Excelente assado, com ou sem recheio, coleciona apreciadores famosos. O escritor Camilo Castelo Branco, autor de Amor de Perdição (1862), aconselhava-o ligeiramente flambado com aguardente velha e conduzido à mesa com a pele estaladiça. Historial do Capão.




NOVIDADE!


Uma das grandes novidades é a introdução de um selo identificativo da ave, com a colocação de uma anilha, passando a partir de agora a existir um “bilhete e identidade” do Capão de Freamunde. Só podem entrar no Concurso de melhor Capão Vivo as aves com “BI”. O Capão à Freamunde tem a denominação de Indicação Geográfica Protegida (IGP), atribuída pela Comissão Europeia.










Um comentário:

  1. Bons momentos registados, que ficam para sempre na memória, certamente!
    Beijinhos,
    Espero por ti em:
    strawberrycandymoreira.blogspot.pt
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